Investidor que se adapta além da polarização política ganha mais, aponta CEO da Arko em evento em Chicago
Thiago Aragão destacou em painel internacional que o excesso de certezas e a contaminação institucional prejudicam a tomada de decisões.
Por Redação
Fonte: InfoMoney
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O investidor que obtém lucros expressivos é aquele que consegue se adaptar para além da polarização política, segundo avaliação do CEO da Arko, Thiago Aragão. O posicionamento foi defendido durante participação em um painel da Conferência MBA Brasil nesta sexta-feira (6), conforme informações divulgadas pelo portal InfoMoney. De acordo com o especialista, o investidor iniciante tende a apresentar um comportamento mais dramático, analisando as mudanças na política sob a ótica de que tudo dará certo ou tudo dará errado.
"O Brasil funciona por acordos e prevê-los é difícil. Existe uma necessidade de conhecer os personagens, sem fazer juízo de valor e do porquê tomam determinada decisão. O investidor que entende isso ganha muito dinheiro. Não é à toa que o maior parque industrial alemão fora da Alemanha é São Paulo. Que o maior parque japonês fora do Japão é São Paulo. Que o maior parque sueco fora da Suécia é São Paulo", declarou Thiago Aragão durante o evento nos Estados Unidos.
Para o executivo, o profissional que compreende que não é o cenário macroeconômico que dita exclusivamente o seu sucesso consegue navegar de forma mais eficiente pelo ambiente de polarização política. Aragão apontou que o período recente evidencia uma contaminação da opinião pessoal para a esfera institucional dentro das empresas. Alimentadas pelo ecossistema das redes sociais, as pessoas criam expectativas extremas, oscilando entre a visão de um cataclisma iminente e a crença em um paraíso econômico.
O CEO também avaliou as transformações na atuação dos políticos em comparação com outras áreas da sociedade que passaram por modernizações tecnológicas. Segundo ele, enquanto serviços cotidianos foram revolucionados pela digitalização e pela praticidade, a política priorizou a intenção em detrimento das realizações concretas, uma vez que as amarras burocráticas persistem. A justificativa atual recai sobre a ideia de que o político faria determinada ação se estivesse em condições ideais, criando uma realidade paralela que acaba sendo absorvida por empresários.
Como exemplo prático da divisão social, Aragão citou a repercussão em torno do resultado eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Para o analista, o cenário político atual agrupa os indivíduos com base no ódio e na oposição, e não na afinidade, o que destrói a capacidade de convergência. O especialista concluiu que essa dinâmica prejudica profundamente a tomada de decisões corporativas e sociais, ressaltando que o momento atual é marcado por um excesso de certezas, embora o progresso dependa das dúvidas.
A Conferência MBA Brasil chega à sua quinta edição neste ano, ocorrendo entre os dias 6 e 7 de novembro em Chicago, nos Estados Unidos. O encontro reúne executivos de algumas das maiores empresas do Brasil e do mundo com o objetivo de debater os rumos, os desafios e as perspectivas de negócios nos principais setores da economia e do empreendedorismo nacional.


