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Cultura · Brasil

Gillianno Mazzetto reflete sobre novembro, planejamento de 2027 e salas decoradas na empresa

Autor analisa a origem do nome de novembro, a antecipação de metas para 2027 e o efeito das decorações natalinas nos corredores corporativos

Por Redação

Fonte: Campo Grande News

3 min de leitura

Foto: Reprodução / Campo Grande News
Foto: Reprodução / Campo Grande News

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Novembro nasceu com um nome que já não corresponde à sua posição no calendário. No antigo calendário romano, o ano iniciava em março e o mês chamado "novem", que significa nove, era o nono. Quando a contagem passou a começar em janeiro, o nome permaneceu, transformando‑se em um mês que, embora seja o décimo‑primeiro, ainda carrega a referência ao nono. Essa incongruência, segundo o portal Campo Grande News, serve como metáfora para a sensação de deslocamento que o autor descreve ao viver duas semanas no futuro, em 2027.

A origem do nome de novembro

Ao abrir a planilha de orçamento, o narrador já vê receitas, despesas, metas e desvios para um ano que ainda não chegou. O planejamento está tão detalhado que parece quase injusto entregá‑lo ao tempo, que costuma bagunçar tudo o que organizamos. Enquanto isso, nas prateleiras dos supermercados, o panetone ocupa o lugar de destaque que antes pertencia a itens realmente necessários, trazendo um toque de doçura ao início de dezembro.

Novembro como sala de espera

Na empresa onde trabalha, os corredores foram transformados em verdadeiras vitrines natalinas. Cada setor competiu, sem convite formal, para criar a decoração mais bonita, e o autor acabou entrando em um ambiente que lembrava a casa do Papai Noel. A cena gerou comentários nos corredores: alguns elogiaram a beleza, outros consideraram prematuro, mas todos passaram para conferir, o que ele interpreta como o elogio mais sincero que uma organização pode receber.

Ele ri internamente ao perceber que, enquanto os colegas celebram o futuro com luzes vermelhas, ele está imerso em células verdes e vermelhas que indicam crescimento e preocupação. Essa “decoração” de planilhas, embora menos vistosa, tem o mesmo propósito de antecipar o que está por vir.

Blaise Pascal, citado nos "Pensamentos", observou que raramente nos fixamos no presente, preferindo lembrar o passado ou imaginar o futuro. O autor ecoa essa ideia ao concluir que, em novembro, tornamo‑nos como quem aguarda em uma sala de embarque: o tempo passa, mas não vivemos o minuto, apenas o marcamos como distância até o próximo chamado.

Além da perspectiva estratégica, há um segundo motivo para viver em 2027: ainda não houve perdas de metas, projetos não empacaram e conversas difíceis não foram postergadas. Novembro, ao contrário, está repleto de pendências que o autor ainda precisa resolver. Planejar o próximo ano, portanto, funciona como uma fuga elegante, pois poucos percebem quem está olhando além do horizonte.

Ao retornar à porta do corredor decorado, ele percebe que a antecipação dos colegas ocorreu no presente, enquanto sua própria antecipação se limitou a planilhas. O coro que abre o Oratório de Natal de Bach celebra o que o Altíssimo fez hoje, não amanhã. Essa diferença evidencia que transformar um espaço em casa ou uma casa em sala de espera depende da escolha de onde colocar cada elemento.

Novembro continua recebendo correspondências no endereço antigo, enquanto o autor se mudou sem deixar o novo. Ele deixa ao leitor a pergunta que lhe surgiu ao observar o corredor: quando seu nome for chamado em dezembro, você saberá onde passou novembro? E, se souber, terá coragem de revelar o que deixou para trás?

* Gillianno Mazzetto é palestrante, autor de cinco livros e possui formação em Harvard e na UC Berkeley. Os artigos assinados por ele não refletem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como objetivo estimular o debate e provocar reflexão sobre questões brasileiras.


Fonte: Campo Grande News.

Fonte: Campo Grande News . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.

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