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Economia · Brasil

Florian Bartunek orienta PME a ter 'um olho no cliente e outro no caixa' no G4 Valley

Fundador da Constellation Asset Management destaca a importância de equilibrar foco no cliente, caixa e IA para sobreviver a crises econômicas

Por Redação

Fonte: InfoMoney

5 min de leitura

Foto: Reprodução / Fonte
Foto: Reprodução / Fonte

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Segundo o portal InfoMoney, Bartunek resumiu a estratégia vencedora em uma frase simples, mas poderosa. Ele explicou que, em um país onde os juros elevados encarecem o crédito e a falta de capital de giro pode comprometer até negócios lucrativos, a sobrevivência depende de equilibrar a atenção ao cliente com o rigor no controle de caixa.

A importância do caixa para PME

Para o investidor, a ansiedade de crescer rapidamente pode se transformar em armadilha. "Tem gente muito aflita querendo ficar rico muito rápido. Mas quando você fica aflito para ficar rico muito rápido, corre mais risco de ficar pobre muito rápido", alertou Bartunek. Ele ressaltou que os empresários mais bem‑sucedidos são aqueles que conseguem manter seus negócios por décadas, reinvestindo os resultados e aproveitando o efeito do crescimento acumulado ao longo do tempo.

O problema, segundo ele, é que muitos empreendedores sacrificam a saúde financeira da companhia para atingir metas de expansão em prazos curtos. "Vou crescer de acordo com a minha capacidade de caixa", aconselhou. Para o gestor, é preferível levar mais tempo para alcançar uma meta do que comprometer a sobrevivência da empresa tentando antecipar resultados.

Crises como oportunidade

Barun­tek enfatizou que períodos de turbulência podem abrir espaço para empresas mais eficientes conquistarem mercado. "Uma empresa ruim quebra, uma empresa boa sobrevive, uma empresa espetacular cresce ainda mais", afirmou. Essa visão não implica abandonar oportunidades, mas sim escolher as que são financeiramente sustentáveis.

Inteligência artificial como aliada

O investidor defendeu que a inteligência artificial (IA) representa uma oportunidade para melhorar a produtividade e reduzir custos, inclusive nas pequenas empresas. Quando questionado por Tallis Gomes sobre assumir riscos ao implantar IA em cenário de juros altos, Bartunek recomendou experimentar a tecnologia de forma gradual e direcionada: "Pega as melhores pessoas da sua empresa. Pega dois ou três problemas para resolver, corre risco e faz".

Ele destacou que a IA democratiza o acesso a ferramentas antes restritas a grandes companhias. "Se no passado a implantação de sistemas sofisticados exigia investimentos milionários, hoje empresas de diferentes portes conseguem utilizar tecnologias avançadas", explicou, citando exemplos de processos que antes consumiam dez horas de trabalho e agora podem ser concluídos em duas.

No entanto, Bartunek fez ressalva de que a tecnologia não elimina a necessidade de julgamento humano. Em um processo seletivo com 40 mil currículos, por exemplo, a IA pode fazer a triagem inicial, mas a avaliação dos candidatos finalistas continua sob responsabilidade das pessoas.

Cultura organizacional e meritocracia

Outro fator decisivo para a longevidade de uma empresa, segundo Bartunek, é a construção de uma cultura organizacional forte, capaz de sobreviver à ausência do fundador. Ele propôs um teste simples: observar como os funcionários se comportam quando o empresário não está presente. "É o teste de uma boa cultura, porque é importante saber o que acontece na empresa quando você não está lá", afirmou.

O gestor contou que a cultura nasce principalmente do exemplo dado pelos líderes. Um empresário que começou a usar um modelo de tênis no escritório viu vários funcionários adotarem o mesmo hábito, demonstrando como pequenos gestos influenciam o comportamento coletivo.

Na gestão de pessoas, Bartunek defendeu uma combinação de meritocracia, generosidade e exigência. "Se eu pagar os melhores igual eu pago os piores, os melhores vão embora", alertou, comparando a situação ao tenista Roger Federer, que depende de uma equipe de apoio para alcançar resultados.

Preparação e estudo contínuo

Para o investidor, preparação supera talento. "A preparação ganha do talento todo dia", disse, incentivando empresários e executivos a estudarem continuamente para tomar decisões melhores.

Ele recorreu à própria trajetória para relativizar o pessimismo em relação ao atual ambiente econômico brasileiro. Iniciou sua carreira em 1989 e atravessou episódios como o confisco da poupança no Plano Collor, fortes desvalorizações cambiais e a pandemia de Covid‑19. "A economia brasileira já enfrentou situações extremamente adversas e, apesar das dificuldades, empresas conseguiram sobreviver e prosperar. Aprendi que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe", afirmou.

Foco no controle interno

Bartunek alertou que o excesso de preocupação com notícias negativas e discussões nas redes sociais pode paralisar os empresários justamente quando precisam agir. Em vez de tentar prever todos os desdobramentos políticos e econômicos, ele recomenda voltar a atenção para o que está sob controle do empreendedor: melhorar produtos, atender clientes, aumentar a eficiência e preservar a saúde financeira da companhia.

A orientação é particularmente importante para o varejo, setor que ele considera um dos mais difíceis da economia brasileira. Filho de um comerciante, Bartunek contou que cresceu acompanhando as dificuldades enfrentadas pelo pai, que frequentemente precisava trabalhar nos fins de semana. Essa vivência o fez reconhecer o esforço exigido dos empresários que operam com margens reduzidas e precisam equilibrar estoques, despesas, vendas e capital de giro.

Para esses casos, sua recomendação é ainda mais conservadora: "Seja mais conservador, vá mais devagar, de acordo com a capacidade financeira. Mantenha proximidade com o consumidor e evite decisões precipitadas. Mas não desista".

Liderança e motivação

Além das decisões financeiras e operacionais, Bartunek destacou que a postura do empresário influencia diretamente a disposição da equipe para enfrentar momentos difíceis. Funcionários observam não apenas as decisões, mas também a maneira como o líder reage diante de problemas. "Um empreendedor que demonstra desânimo constante pode acabar transmitindo insegurança à organização. Por isso, é fundamental que os líderes mantenham a capacidade de motivar as pessoas, mesmo quando precisam tomar decisões difíceis", afirmou.

Ele reconheceu que o medo faz parte da sua própria trajetória. Apesar de administrar recursos de grandes investidores, o receio de perder dinheiro sempre influenciou suas decisões. Para ele, esse sentimento pode funcionar como um mecanismo de prudência, desde que não impeça o empresário de agir.

Mensagem final aos empreendedores

Ao encerrar sua participação, Bartunek deixou uma mensagem clara: não permita que o pessimismo paralise a empresa e concentre esforços naquilo que pode ser melhorado. "Pense: o que eu posso fazer de bom para o meu cliente?", recomendou. Segundo ele, essa pergunta, acompanhada de disciplina financeira, investimento em tecnologia, valorização das pessoas e persistência, diferencia as empresas que apenas sobrevivem daquelas que conseguem sair mais fortes das crises.


Fonte: InfoMoney.

Fonte: InfoMoney . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.

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