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Política · Brasil

Parlamentares governistas pressionam por corte de juros antes de reunião do Copom

Aliados de Lula criticam mercado financeiro e Banco Central por possível manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano

Por Redação

Fonte: InfoMoney

4 min de leitura

Foto: Reproducao / InfoMoney
Foto: Reproducao / InfoMoney

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Com a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana, aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram o tom e iniciaram uma pressão conjunta contra o mercado financeiro e o Banco Central (BC) por uma redução da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Antes da vitória de Lula na eleição presidencial, a expectativa era de um corte de 0,25 ponto porcentual, mas a reeleição do petista levou parte do mercado a rever essa possibilidade, diante da incerteza fiscal em relação ao novo mandato.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou, nesta segunda-feira (2), a mudança nas projeções dos analistas para a taxa básica de juros após o segundo turno das eleições. Em postagem na rede social X, o parlamentar afirmou que “estão fazendo política e sabotando a nossa economia” e que a taxa Selic não deve ser decidida pelo “humor do mercado financeiro”. Lindbergh também cobrou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A deputada e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) publicou em suas redes sociais, na manhã desta segunda-feira, um texto com críticas ao mercado. “Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que tenham torcido e apoiado Flávio Bolsonaro para presidente”, diz a postagem na rede social X.

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) engrossou a ofensiva. “Os juros têm que baixar, mas não pode ser na marra. As contas precisam ser equilibradas, mas não pode ser cortando de quem mais precisa. Os bilionários irão pagar a conta, SIM, porque foi esta a decisão das urnas”, disse em postagem nas redes sociais. “Não podemos aceitar que a política econômica seja refém dos interesses de quem ganha muito com juros elevados”, finalizou.

As manifestações mais recentes estão alinhadas com o discurso adotado na última sexta-feira pelo ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, em entrevista ao Metrópoles, na qual afirmou que há muita “especulação” e busca de “ganhos extraordinários” no setor financeiro.

No fim de semana, um artigo do economista André Lara Resende, publicado em 25 de setembro no Substack, ganhou destaque. Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real e ex-presidente do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, questiona a prioridade dada às despesas primárias e propõe reduzir a taxa básica de juros gradualmente ao longo de aproximadamente 12 meses, até atingir cerca de 7,5% ao ano. Ele também defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos.

O jornal O Globo noticiou que Lara Resende e Lula devem se encontrar nesta semana. No entanto, em nota, o presidente do PT nacional, Edinho Silva, criticou o que chamou de “especulações na área econômica” e reforçou que apenas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pode falar pelo governo na área econômica.

Neste domingo (1º), Durigan negou que o governo Lula estude adotar uma política econômica de tabelamento de juros e de uso de reservas para segurar o câmbio. “Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”, afirmou o ministro. Ele também negou o encontro com Lara Resende: “Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”.

O Copom se reúne nesta semana. Depois das eleições, cresceu o número de bancos e analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast que esperam a manutenção da Selic em 13,75% nesta reunião, embora a mediana das estimativas ainda indique um corte. Também caiu a expectativa de novas reduções de juros para 2027. Na última reunião, em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual.

A semana que sucedeu o segundo turno das eleições foi marcada por forte alta do dólar e das taxas de juros futuros. O Ibovespa, principal índice da B3, teve sua pior semana desde março de 2020, ao cair 18,12%, fechando em 167.921 pontos. O dólar encerrou a semana com alta de 9,04%, a maior desde outubro de 2008, cotado a R$ 5,4443, seu maior valor desde dezembro de 2025. Em outubro, a alta da moeda americana foi de 5,20%.

Esse comportamento reflete preocupações com o futuro fiscal do País após a reeleição de Lula e a aversão ao risco no exterior, impulsionada pelas apostas em um aperto monetário nos EUA e pelo pessimismo quanto ao retorno dos investimentos na área de inteligência artificial. A cautela foi reforçada pela ausência de anúncios de medidas de ajuste de gastos para o próximo mandato e de indicação de nomes para a nova equipe econômica.


Fonte: InfoMoney.

Fonte: InfoMoney . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.

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