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Geral · Mato Grosso do Sul

Jovem de 25 anos descobre talento na cozinha do Exército e vira chef em Campo Grande

Daniel Abner Fernandes Rodrigues transformou a experiência no quartel em vocação e hoje estuda gastronomia

Por Redação

Fonte: Campo Grande News

3 min de leitura

Foto: Reprodução / Campo Grande News
Foto: Reprodução / Campo Grande News

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Daniel Abner Fernandes Rodrigues, de 25 anos, encontrou sua vocação na cozinha do quartel durante o serviço militar em 2020. Entre panelas gigantes de arroz, fardos de feijão e um ambiente quente, ele descobriu que queria transformar o preparo de alimentos em profissão. Hoje, formado como cozinheiro pelo Senac, ele cursa gastronomia e sonha em ser professor, além de aprofundar os estudos sobre as culinárias brasileira e italiana.

Antes de ingressar no Exército, Daniel trancou o curso de Geografia a distância, com o qual não se identificava. Ele também passou por empregos variados, mas foi na cozinha militar que encontrou sua paixão. Ao pedir para trabalhar no rancho, como é chamada a cozinha do quartel, ele enfrentou desafios como o calor intenso, o uniforme inadequado e o piso escorregadio. No entanto, a experiência o confirmou na escolha pela gastronomia.

Na cozinha do quartel, Daniel preparava grandes quantidades de comida para alimentar os militares. "Para fazer arroz, era um saco para cada panela no fogão. Fazer feijão era um fardo de feijão todo dia. Carnes, era muita carne. Tinha a parte do açougue, onde eu passava a tarde inteira cortando carne", relembra. Apesar das dificuldades, ele encontrou satisfação no trabalho e fez amizades.

O interesse de Daniel pela culinária, no entanto, começou na infância. Seu primo João Felipe, dois anos mais velho, foi quem lhe ensinou a preparar o primeiro ovo frito. Os dois cresceram juntos, brincando na rua e juntando moedas para frequentar uma lan house. Em uma tarde, quando chegou a hora do jantar, João Felipe decidiu ensiná-lo a cozinhar. "Ele pegou a panela, colocou o óleo, ligou o fogão. Eu lembro da chama azul. Colocou o ovo e foi me ensinando passo a passo. Quando vi o ovo mudando de forma, ficando branquinho, amarelinho, achei aquilo muito interessante", recorda. João Felipe morreu anos depois, mas Daniel faz questão de reconhecer a importância dele em sua trajetória: "Ele plantou a semente, mesmo que não propositalmente".

Após deixar o Exército, Daniel tentou ingressar no curso de Gastronomia da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), mas decidiu interromper os estudos por insatisfação com a estrutura e os custos. Na época, pagava R$ 1.044 de mensalidade. Foi então que conheceu o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), onde encontrou uma formação mais voltada à prática. Em 2024, concluiu o curso de cozinheiro, que, segundo ele, tinha a maior parte das atividades desenvolvidas na cozinha. A experiência aumentou sua vontade de continuar estudando.

Com a abertura de novas oportunidades de formação, Daniel ingressou no curso de Gastronomia em 2025 e passou a enxergar possibilidades profissionais que antes desconhecia. Hoje, ele ainda considera sua identidade profissional em construção. Apesar das inseguranças financeiras, segue os estudos com o apoio da namorada, Giovana, e acredita que o planejamento pode ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

Ao lembrar do jovem que entrou no quartel e encontrou na cozinha uma possibilidade de futuro, Daniel reconhece a importância de cada experiência. "Eu vejo que estou no caminho certo. Todos os lugares em que trabalhei me ensinaram alguma coisa importante. A gente pode aprender com qualquer pessoa", finaliza.


Fonte: Campo Grande News.

Fonte: Campo Grande News . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.

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