Como o dólar protegeu investidores da queda da Bolsa após 2º turno
Estudo mostra que carteiras diversificadas com dólar amenizaram perdas após reeleição de Lula
Por Redação
Fonte: InfoMoney
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Em menos de um mês, investidores brasileiros viram a Bolsa superar os 200 mil pontos, impulsionada pela aposta em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrentar a maior queda diária desde março de 2020. Um estudo de Bruno Guimarães, planejador financeiro da Planejar, elaborado a pedido do InfoMoney, mostra que carteiras diversificadas, especialmente com parcela em dólar, amenizaram as perdas.
O estudo analisou carteiras hipotéticas para perfis conservador, moderado e arrojado entre os dois turnos. Nenhuma terminou no prejuízo em valores nominais, mas todas renderam menos que o CDI. A diversificação e a parcela em dólar foram os fatores-chave para esse resultado.
Em setembro, a Bolsa e a renda fixa brasileira tiveram alta, com o Ibovespa subindo 5,03% e o CDI a 1,08%. As carteiras ficaram no positivo, com a arrojada à frente e a conservadora atrás. A parcela em dólar pesou contra, já que os ativos americanos recuaram e o câmbio ficou estável.
Em outubro, após o primeiro turno, o Ibovespa subiu 7,70% e fechou acima dos 200 mil pontos, enquanto o dólar recuou. Até 23 de outubro, o índice acumulava alta de 10,06%. Após o segundo turno, o quadro mudou: o Ibovespa caiu 13,88% no dia 26, e a B3 acionou o circuit breaker. A Ptax subiu 9,19%, e índices de títulos públicos, fundos imobiliários e multimercados recuaram.
A carteira conservadora foi a única a fechar outubro no azul, com ganho de 1,08%, acima do CDI de 0,97%. A moderada recuou 0,19%, e a arrojada, 1,29%. Somados setembro e outubro, nenhuma carteira com dólar terminou no prejuízo, mas todas ficaram abaixo do CDI, enquanto o Ibovespa acumulou queda de 3,61%.
Na prática, quem aplicou R$ 100 mil no fim de agosto chegou a 28 de outubro com cerca de R$ 101,7 mil na carteira conservadora e R$ 100,1 mil na arrojada, ante R$ 102,1 mil no CDI.
A diversificação foi crucial: mesmo a carteira arrojada tem menos de um quinto em ações brasileiras. A parcela em dólar, que custou retorno em setembro, foi o principal reforço em outubro, respondendo pela maior parte do ganho da conservadora. Sem ela, essa carteira renderia menos que o CDI, e a perda da arrojada chegaria a 2,07%.
Guimarães destaca que a exposição ao dólar protegeu o patrimônio em momentos de estresse doméstico, embora tenha custado retorno enquanto os ativos brasileiros subiam. Ele ressalta que poucas semanas não servem de projeção e que os ativos respondem a diversos fatores, como juros nos EUA e preço das commodities.
Caroline Bonati, planejadora financeira CFP pela Planejar, observa que a alta dos ativos antes do segundo turno refletia probabilidades, não garantias. Concentrar a carteira em um único desfecho cria risco desproporcional. “Alocar carteira não é apostar no cenário que você acha mais provável, mas construir uma estrutura que sobreviva aos cenários improváveis”, afirma.
Diante de quedas fortes, a recomendação é não decidir no impulso. Athos Fontenelle Fittipaldi, também CFP pela Planejar, lembra que a B3 já acionou o circuit breaker 24 vezes e que, em 12 meses após esses eventos, o Ibovespa estava mais alto. O momento de ajustar a carteira deve seguir regras pré-estabelecidas, não manchetes.
Guimarães defende que o investidor mantenha reservas de emergência e de oportunidade. “Com elas, não é preciso se desesperar nas quedas nem se deixar levar pelo otimismo exagerado nas altas”, explica. A lição, segundo ele, é que a decisão sobre alocação não precisa depender de acertar resultados eleitorais, mas de planejamento com um profissional certificado.
Fonte: InfoMoney.
Fonte: InfoMoney . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.


