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Economia · Brasil

Vista Capital zera risco de fundos após perdas históricas de 46% em 2026

Gestora cofundada por João Landau admite erros em teses de investimento e vai revisar modelo após ano sem precedentes negativos

Por Redação

Fonte: InfoMoney

3 min de leitura

Foto: Reproducao / InfoMoney
Foto: Reproducao / InfoMoney

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A Vista Capital, gestora cofundada por João Landau, decidiu reduzir o risco de sua carteira a um nível próximo de zero na virada de outubro para novembro de 2026, após registrar um ano em que todas as principais posições do fundo ficaram no negativo, algo inédito em seus 12 anos de história. Em carta distribuída a cotistas nesta quarta-feira (4), segundo o portal InfoMoney, a casa afirma que vai usar os próximos meses para rever as teses de investimento e o próprio modelo de gestão.

O Vista Multiestratégia, carro-chefe da gestora, acumula queda de 45,9% em 2026 até outubro, mês em que recuou 15,4%, enquanto o CDI rendeu 11,7% no ano. Entre os demais fundos da casa, o Vista Macro Absoluto perde 33,6% e o Vista Hedge, 20,8%. Desde o lançamento, em janeiro de 2015, o Multiestratégia só havia fechado um ano no vermelho, em 2024.

A carta chega pouco mais de uma semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88%, com o primeiro circuit breaker desde 2020, e o tombo atingiu em cheio a indústria de fundos, sobretudo os fundos de ações e os multimercados posicionados para uma alternância de governo. Landau, que cofundou a Vista em 2014, esteve entre os gestores que apostaram publicamente na derrota do petista, afirmando em julho, durante a Expert XP, que Lula estava para perder a eleição.

Na carta, a gestora reconhece que esperava que a abstenção prejudicasse a esquerda, como indicava a série histórica de eleições, mas o comparecimento aumentou de forma relevante no segundo turno. As proteções também falharam, já que a Petrobras, em que a Vista estava vendida, subiu quase em linha com o petróleo, e as posições em câmbio e em opções de Ibovespa montadas entre os turnos não cumpriram seu papel.

Ainda assim, a casa sustenta que as perdas ligadas à eleição ficaram dentro do risco esperado para a carteira e não foram o principal evento do ano. O problema, segundo o documento, é que essas perdas se somam às anteriores, tornando o resultado acumulado inaceitável. Ao longo de 2026, a Argentina caiu perto de 40%, as ações sensíveis a juros (bond proxies) tiveram perdas relevantes e as posições em urânio ficaram no negativo apesar da alta da commodity, enquanto a Petrobras acumula valorização de 80%.

Segundo a gestora, mesmo com o patrimônio dos sócios aplicado no fundo e o respeito às regras de risco, todas as principais posições estão no vermelho, e não há gestão de risco que compense esse erro. Apesar do resultado, a Vista mantém as convicções de cenário, do otimismo com o governo de Javier Milei à visão de que os riscos da Petrobras são subestimados pelo mercado.

No Brasil, a casa admite ter errado ao usar bond proxies, e não a NTN-B, para capturar a queda dos juros reais, mas não muda o diagnóstico de que os juros reais terão de cair, por bem ou por mal. Para a gestora, sem disposição do governo para restabelecer a confiança na trajetória da dívida pública, começam a surgir discussões sobre caminhos heterodoxos para essa redução, com efeitos sobre o câmbio.

A Vista não vê essa ruptura como iminente e avalia que um ajuste fiscal modesto e um ministro com credibilidade junto ao mercado podem bastar, por ora, mas pondera que o dilema deve ficar mais duro com o enfraquecimento da atividade em 2027. Em qualquer desses cenários, a combinação atual de juros reais e câmbio parece insustentável para a gestora, concluindo assim a carta enviada aos cotistas.


Fonte: InfoMoney.

Fonte: InfoMoney . O Nioaquense publica a chamada e a foto; a íntegra está no veículo original.

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